sexta-feira, 10 de novembro de 2017

MARIA MULAMBO

A lenda conta que Maria Mulambo nasceu em berço de luxo, seus pais coordenavam um pequeno reinado, mas não chegam a ser Reis.
Maria sempre foi muito bonita e delicada, cheia de trejeitos e sempre foi chamada de Princesinha, devido a sua beleza.
Quando tinha 15 anos, foi pedida em casamento pelo filho do rei, o príncipe tinha 40 anos.
Foi um casamento sem amor, o grande objetivo dos pais era juntar as fortunas e montar assim um grande reino.
Os anos se passavam e Maria não engravidava, mas o reino precisava de um sucessor ao trono.
Além de maria estar amargurada pois se casou contra vontade, ainda era chamada de árvore que não dava frutos, pois não tinha filhos. Mas, Maria era uma mulher que apesar de tudo isso, praticava sempre a caridade, indo ao povoado e ajudando os necessitados e Doentes..
Em uma dessas ida ao povoado, conheceu um rapaz, “Foi amor à primeira vista”. Esse rapaz era viúvo e tinha três filhos e era somente dois anos mais velho que Maria.
Nenhum dos dois tinha coragem de assumir esse amor.
O Rei morreu, O Príncipe foi Coroado e Maria se tornou a Rainha daquele pequeno País.
O Povo amava Maria. No dia de sua coroação, os súditos não tinham o que lhe dar de presente, então fizeram um tapete de flores para Maria passar por cima.
Ela ficou muito emocionada. Seu marido, Agora Rei, estava com muita inveja, então trancou Maria no quarto e lhe deu uma surra de pontapés e socos. Bastava ele Beber e as agressões se repetiam.
Mesmo Machucada, Maria não deixou de ir ao povoado praticar caridade, num desses dias de visita, O amado de Maria a viu com tantas marcas, propôs à ela que fugissem.
Combinaram tudo…
Os pais do rapaz tomariam conta das crianças até que  a situação se acalmasse. Eles fugiram e Maria deixou tudo para trás, levando apenas a roupa do corpo.
O Rei no princípio mandou procura-la, mas desistiu.
Maria agora não se vestia de roupas luxuosas e sim com roupas velhas e feia, pareciam MULAMBOS. Mas estava muito feliz.
Maria engravidou… a notícia correu todo povoado e chegou aos ouvidos do rei, desesperado, sabendo que ele é que não poderia ter filhos (Para um rei, isso seria impossível). Ele precisava limpar seu nome.
Mandou seus soldados prenderem Maria, que agora já era chamada de Maria Mulambo.
Ordenou aos Guardas que amarrassem duas pedras nos pés de Maria e a Jogassem no fundo do Rio.
Ninguém soube do acontecido, Porém 7 dias depois de sua morte, começou a nascer flores no rio onde ela foi jogada. Os peixes, que eram habitantes naquele local, chegavam a pular fora d’água.
Seu amado desconfiou de tudo e mergulhou no rio em busca de seu corpo e o encontrou.
Mesmo depois de estar tanto tempo dentro do rio, o corpo estava intacto, parecia que ia voltar à vida, Os mulambos que Maria vestia quando foi jogada no rio já não existiam.
Maria gora estava coberta de jóias e um lindo vestido de rainha.
Velaram seu copo em uma cerimonia digna de rainha.
O Rei enlouqueceu.
Seu amado nunca mais se casou, na espera de reencontrar Maria.
No dia que ele morreu, reencontrou Maria, O Céu se fez azul e teve inicio à primavera.
assim a conhecemos hoje como Maria Mulambo, até hoje invocada para casos de amores impossíveis.
Laroyê Maria Mulambo!

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

ORIENTAÇÃO PARA CELEBRAÇÕES NO CEMITÉRIO...



Ao sai de sua casa evite usar jóias e bijuterias em demasia.Vá apenas com o necessário,como relógio,aliança de compromisso,por exemplo.
Ao chegar no cemitério antes de passar pelo portão principal,diga...Alupô sr Bará de licença.
Ao passar pelo primeiro túmulo preto a sua esquerda, peça licença a Exu CAVEIRA para homenagear as almas.
No cruzeiro central da calunga, pedir licença para o Exu Tranca Rua das Almas.
Vá ao local desejado,procurando não olhar fotos,muito menos tecer comentários impróprios para o momento. Respeito,lisura,honradez é fundamental.
Procure não deixar pertences,panos ou outra material pessoais no local.
Ao sair quando se aproximar do portão ,vire-se de frente para dentro e de um passo de costas em direção a rua ,sempre com os olhos abertos.
Após ter dado um passo a trás em direção a rua,vire-se e siga o caminho.
Se possível passe em uma igreja e faça orações, se poder mande rezar uma missa.
Se possível passe por dentro de uma feira pública,mercado , etc.Não é necessário comprar nada, apenas passeie pelo local.
Vá para sua casa, evitando passar em casa de parentes, amigos, principalmente se for adepto da religião espirita umbandista ou africanista, pois poderá transmitir uma carga negativa, ou larvas deixando o ambiente ou pessoas contaminadas. Por isso procure ir para sua casa.
Ao chegar em sua residência, retire toda a sua roupa,ponha a lavar, se não fizer a lavagem em seguida ,deixe de molho.
Tome um banho utilizando sabão da costa, sabão de coco ou sabão grosso, geralmente de cor amarelada.
Após esse banho, seque-se de maneira normal.Coloque um pouco de perfume de sua preferência no alto da cabeça.
Se possível como alguma coisa doce.
Esqueça o passado e siga sua rotina.

1ª SITUAÇÃO
Se você ficar impressionada (o) com alguma situação ou não conseguir se desprender do que ocorreu durante os momentos que você esteve no cemitério, faça o seguinte:
 Pegue pétalas de 8 rosas brancas.
Faça uma infusão com água fervente na quantidade que você possa lavar seu rosto com água abundante.
Após acrescentar as pétalas na água fervente,deixe em infusão por 4 horas.
Lave o rosto com as duas mãos,sempre com os olhos bem abertos.
Deixe a água escorrer pelo ralo do banheiro,ou despeje ela fora de casa.
Ás pétalas devem ser enroladas em um papel limpo e despachadas em um verde fora do alcance dos seus olhos por 3 dias ,ou seja que você nem seus parentes passem pelo local até 3 dias.

2ª SITUAÇÃO:
Se você for receber a visita de alguém que sabidamente veio de um funeral,ou do cemitério,faça o seguinte:
Coloque em um copo,podendo ser de plástico,7 pedras de carvão. Complete o resto do copo com sal grosso e coloque na entrada da casa.
Procure colocar de maneira discreta para não criar constrangimento.
Após sete dias despachar em um canto de rua,ou seja em um canto da encruzilhada.

Para essa mesma situação você pode preparar um saquinho branco contendo cinza vegetal limpa, ou seja cinza de lareira ou de fogão a lenha.
Da mesma forma da anterior,coloque de maneira discreta na entrada.
Despache em um verdinho,grama.

O DERRADEIRO ENCONTRO COM IKU



Mo Jubá!!!
Nenhum sofrimento na terra, e talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração, regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio. Ver a névoa da morte estampar-se inexorável, na fisionomia dos que mais amamos e, cerra-lhes para sempre os olhos ,no adeus indescritível. É como despedaçar a própria alma e continuar vivendo.
Que digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho, transfigurado em anjo da agonia. Um esposo que se despede procurando debalde mover os lábios mudos. Uma companheira cujas mãos consagradas a ternura,pendem extintas.Um amigo que tomba desfalecente para não mais se erguer.
Um semblante materno acostumado a abençoar e que nada mais consegue exprimir a não ser a dor da extrema separação , através da última lágrima.
Falem aqueles que um dia se inclinaram, esmagados de solidão, à frente de um túmulo.
Os que se jogaram em preces nas cinzas que recobre derradeira recordação dos entes inesquecíveis.
Os que caíram,varados de saudade,carregando no seio,o esquife dos próprios sonhos.
E os que tatearam,gemendo,a louça imóvel , e,aqueles ainda que soluçaram de angústia,no ádito dos próprios pensamentos,perguntando em vão pela presença dos que partiram.
Todavia,nesse momento em que romarias são feitas na data de dois de novembro ,relembrando semelhante provação que lhe bateu a porta,...reprima o desespero e dilua a corrente de mágoa na fonte viva da oração,pois as gotas do seu pranto lhe amargaria a alma como chuva de fel. Enquanto que ,as suas preces acariciaram a alma que segue ,como uma mão de criança acariciando o rosto de um avô.
Tranquiliza,deste modo,os companheiros que demandam o além , rezando e suportando corajosamente a despedida temporária,e , honra-lhes a memória,abraçando com nobreza os deveres que te legaram.
Recorda que ,em futuro mais próximo que imaginas , respirarás entre eles,comungando-lhes as necessidades e os problemas, por quando terminarás , também,a própria viagem no mar das provas redentoras e vencendo para sempre o terror da morte.
Caminhante, que Obatala lhe abençoe e lhe guie,nos laços que nos unem agora e pela eternidade,fraternalmente.
Que o Obatala ilumine e esclareça.
Ou jafusi Inanga.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

IKU, O REI DOS MORTOS


Ikú, a Morte é um Orixá, designado por Olodumare para uma função derradeira. Existem e são raríssimas, pessoas de Ikú que, evidentemente, não são iniciadas, cumprem normalmente seu destino e tem funções específicas num Ilê Axé.
Oyekú Mejí é primeiro caminho à terra, quando o Odú Oyekú Mejí chegou à Terra, a morte ainda não existia. Orixá Ikú (morte) nasce nesse caminho para cumprir sua função na Terra, Opirá. (FIM).
Oyekú Meji representa essencialmente a Morte, a profunda escuridão, representa também o lado esquerdo, o este e o princípio feminino.
Ikú vem buscar a pessoa no dia derradeiro e esteja nas condições que estiver, para levá-la de volta ao interior da terra, ao ventre de Nanã.
Ikú cumpre rigorosamente sua função e somente aqueles que conhecem os omo-odús de Oyekú Mejí, poderá conversar com a morte, e por um breve tempo. Somente através do Imolê Exú e num determinado Odú é e que se faz oferendas a Ikú, estabelecendo pactos e acordos com Ikú para adiar e afastar a morte, aliado aos bons ebós.
Pai Ramão dizia que: a troca pela vida, através de oferendas, é o ponto central do culto aos Orixás, a vida, nada mais é, que a mais valiosa de todas as trocas e também a mais cara.
As trocas não são eternas, chegará o dia que Ikú terá que cumprir sua função e ainda exigirá oferendas, para garantir que só levará apenas um. Há casos famosos de zeladores que depois de mortos, Ikú voltou algumas vezes para cobrar sua oferenda e não encontrando levava seus filhos, acabando muitas vezes, com a casa de candomblé.
Com Ikú não se brinca, quando Ikú chega o nosso Orixá não está mais conosco, sabe que já cumpriu sua função e somente Orí acompanha a pessoa até o fim.
Axé.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

ORIXÁ iKU É O ÚNICO QUE INCORPORA EM TODOS OS HUMANOS. A MORTE SOBRE O PONTO DE VISTA AFRICANISTA.



Diziam os mais velhos que Olodumare, o Deus maior, determinou que Obatalá criasse os homens para que eles povoassem o Ayê – esse nosso mundo visível. Não foi em um ato de misericórdia ou amor que o Deus determinou que o ser humano fosse criado; Olodumare fez isso em um momento de vaidade, do qual em algumas ocasiões arrependeu-se amargamente.
Obatalá, para criar os homens, os moldou a partir de um barro primordial; para isso pediu a autorização de Nanã, a venerável Orixá que tomava conta daquele barro. Os seres humanos, depois de moldados, recebiam o emi – sopro da vida – e vinham para a terra; aqui viviam, amavam, geravam novos homens, plantavam, colhiam, se divertiam e cultuavam as divindades.
Aconteceu, porém, que o barro do qual Obatalá moldava os homens foi acabando. Em breve não haveria a matéria primordial para que novos seres humanos fossem feitos. Os casais não poderiam ter filhos e a terra mergulharia na tristeza trazida pela esterilidade. A questão foi levada a Olodumare.
Ciente do dilema da criação, Olodumare convocou os Orixás para que eles apresentassem uma alternativa para o caso. Como ninguém pensasse uma solução, e diante do risco da interrupção do processo de criação dos homens, Olodumare determinou que se estabelecesse um ciclo. Depois de certo tempo vivendo no Ayê, os homens deveriam ser desfeitos, retornando à matéria original, para que novos homens podessem, com parte da matéria restituída, ser moldados.
Resolvido o dilema, restava saber de quem seria a função de tirar dos homens o sopro da vida e conduzi-los de volta ao todo primordial – tarefa necessária para que outros homens viessem ao mundo.
Obatalá esquivou-se da tarefa. Vários outros Orixás argumentaram que seria extremamente difícil reconduzir os homens ao barro original, privando-os do convívio com a família, os amigos e a comunidade. Foi então que Iku, até então calado, ofereceu-se para cumprir o designo do Deus maior. Olodumare abençoou Iku. A partir daquele momento, com a aquiescência de Olodumare, Iku tornava-se imprescindível para que se mantivesse o ciclo da criação.
Desde então, Iku vem todos os dias ao Ayê para escolher os homens e mulheres que devem ser reconduzidos ao Orum. Seus corpos devem ser desfeitos e o sopro vital retirado, para que, com aquela matéria, outros homens possam ser feitos – condição imposta para a renovação da existência. Dizem que, ao ver a restituição dos homens ao barro, Nanã chora. Suas lágrimas amolecem a matéria-prima e facilitam a tarefa da moldagem de outros homens.
Iku é, desde então, o único Orixá que tem a honra de baixar na cabeça de todas as pessoas que um dia passaram pelo Ayê. É por isso que no Arissum, o ritual fúnebre que celebra, prepara e comemora a volta dos homens ao todo primordial, prestam-se homenagens a Iku – com cantos de júbilo e louvação que, mais que a morte, reafirmam o mistério maior; a possibilidade de outras e outras vidas.
Assim diziam os mais velhos, que jamais vestiam luto, em sua infinita sapiência.
  
Olodumare Axé.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

IKU: O Orixá da Morte.

Antes de falar deste Orixá, é preciso deixar claro que uma das principais divisões entre os Orixás é, entre aqueles que são ligados a vida e os que se relacionam com a morte. Muitos adeptos da religião acreditam que Xapanã ou Nanã Borocum são os que trazem o evento morte, porém não é verdade! Eles ligam-se ao fenômeno, mas não o causam, por exemplo Nanã é quem recebe no corpo físico na Terra, enquanto Xapanã separa o espirito do corpo. Assim como, Oxum é quem proporciona a fertilidade da mulher, para que ela possa gerar a vida. O Orixá da Morte, chama se IKU, um nome masculino.   

Quando Obatalá moldou o homem a partir do barro sagrado de Nanã Buruquê, Olodumare (Deus) preencheu aquele ser feito de lama com o Emì (traduzido como respiração, é o sopro de vida dado por Deus). Entretanto, era necessário que a matéria-prima voltasse para a Terra, não poderia viver para sempre, ou acabaria com o Planeta. Olodumare ofereceu a função a todos os deuses, que negaram, o único que aceitou foi IKU, deste então é ele quem a personificação da morte, é o único Orixá que toma o Ori de todos em certo momento.

Outra vertente, diz que para confeccionar o homem, era necessário tirar o barro da Terra, que chorava de dor, nenhum Orixá suportou essa tarefa, o único que conseguiu retirar sem se incomodar com o choro do planeta foi Iku, desse modo, ele é quem retira a matéria prima, e depois a devolve ao local de origem.

Ainda existe uma terceira vertente, dizendo que Iku é um homem de beleza inigualável, que seduz homens e mulheres, esses acabam o seguindo até a “floresta da morte”, seria uma analogia para morrer.
Os Iaôs de incorporação, recebem seu Orixá no Ori, um exemplo um filho de Xango, vai incorporá-lo e não Ogun, Iku é o único que pega a cabeça de todos! Independe da mediunidade e do Orixá. Para muitos é um ser feio e monstruoso, para os mais antigos é um jovem lindíssimo, é claro que criaram essa imagem ruim pelo medo de morrer. Existem sim ebós desse orixá, para afastar doenças, eguns(espíritos desencarnados) e afins. É ligado ao Odu de número 13.
 

sábado, 7 de outubro de 2017

O SENHOR DAS ENCRUZILHADAS, DONO DO MEUS CAMINHOS

BARÁ.
Primeiro Orixá do Panteon Africano, é dinâmico e jovial. É o intermediário entre os homens e as divindades, considerado o mensageiro. Dono dos caminhos e das encruzilhadas simboliza o movimento, portanto fecha e abre os caminhos. É um orixá das questões mais imediatas relacionadas a dinheiro e trabalho. É a ele que pedimos abertura nos negócios financeiros, pedimos que leve aos demais Orixás os nossos pedidos e agradecimentos, não teremos êxito sem iniciarmos as obrigações com o Orixá Bará.


Qualidades: Elegba, Lodê, Lanã, Adague e Agelú.
Dia da semana: segunda-feira. E quando Bará Agelú, ele acompanha os Orixás de praia na sexta-feira.
Cor: vermelha.
Guia: vermelha ou corrente de aço.

Ferramentas: foice, chave, corrente, garfo e ponteira.
Lugar de oferendas: cruzeiros abertos, encruzilhadas e mato. E quando Bará Agelú, na beira da praia.
Aves: galo vermelho ou casal de galinhas d'angola.
Pombo: branco e preto, preto e cinza, cinza, marrom e branco.

Quatro - pé: bode preto para Elegba, bode preto ou qualquer outra cor para Lodê, cabrito de qualquer cor menos preto para Lanã, Adague e Agelú.
Peixe: pintado
Frutas: manga, laranja, cola, amora, butiá, maracujá e cana-de-açúcar,...
Flor: cravo vermelho.
Características: dono dos cruzeiros.
Saudação: Alupo.