sábado, 7 de outubro de 2017

O SENHOR DAS ENCRUZILHADAS, DONO DO MEUS CAMINHOS

BARÁ.
Primeiro Orixá do Panteon Africano, é dinâmico e jovial. É o intermediário entre os homens e as divindades, considerado o mensageiro. Dono dos caminhos e das encruzilhadas simboliza o movimento, portanto fecha e abre os caminhos. É um orixá das questões mais imediatas relacionadas a dinheiro e trabalho. É a ele que pedimos abertura nos negócios financeiros, pedimos que leve aos demais Orixás os nossos pedidos e agradecimentos, não teremos êxito sem iniciarmos as obrigações com o Orixá Bará.


Qualidades: Elegba, Lodê, Lanã, Adague e Agelú.
Dia da semana: segunda-feira. E quando Bará Agelú, ele acompanha os Orixás de praia na sexta-feira.
Cor: vermelha.
Guia: vermelha ou corrente de aço.

Ferramentas: foice, chave, corrente, garfo e ponteira.
Lugar de oferendas: cruzeiros abertos, encruzilhadas e mato. E quando Bará Agelú, na beira da praia.
Aves: galo vermelho ou casal de galinhas d'angola.
Pombo: branco e preto, preto e cinza, cinza, marrom e branco.

Quatro - pé: bode preto para Elegba, bode preto ou qualquer outra cor para Lodê, cabrito de qualquer cor menos preto para Lanã, Adague e Agelú.
Peixe: pintado
Frutas: manga, laranja, cola, amora, butiá, maracujá e cana-de-açúcar,...
Flor: cravo vermelho.
Características: dono dos cruzeiros.
Saudação: Alupo.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

HERANÇAS CATÓLICAS

                      Durante décadas: prisioneiros africanos foram deportados ao Brasil em porões de navios sob a condição de escravos, eles se originavam de diversas regiões; consequentemente reuniram-se aqui membros de tribos distintas com línguas e costumes próprios - muitas vezes rivais; no entanto, algo era semelhante entre todos: a Fé nos ancestrais, os Deuses Africanos, os ritos e os ritmos.
                      Embora as raízes de nossa religiosidade sejam puras, aqui foram aculturadas com outras e sobretudo com a Igreja Católica, que agregou a todos os escritos da Bíblia. Sem a possibilidade de tocar seus instrumentos e saudar seus Deuses, os africanos e seus descendentes foram absorvendo os ensinamentos bíblicos e caracterizando Orixás tal qual os Santos Católicos.
                      Essa foi a forma encontrada pelos africanos para manter vivo o culto aos Orixás, Inkises e Voduns, e, como as rezas eram cantadas em dialetos africanos: Foi inteligente associar São Jorge a Ogum ou Iemanjá a Nossa Senhora Dos Navegantes, mantendo o sincretismo como esteio da religiosidade durante séculos.
                      Alguns escravos catequizados aceitavam a existência de Cristo; no Quilombo de Palmares - por exemplo - foram encontrados altares com imagens católicas. A mitologia de uma nova religião, Afro-Brasileira, foi transmitida por várias gerações e até hoje se faz presente no Candomblé, no Batuque e na Umbanda.
                      Outra influência católica nos ritos africanistas é a Quaresma, o período de 40 dias que antecede a Páscoa.Durante essa quarentena, o cristão irá se abster de festas, carnes vermelhas e deve jejuar até o domingo da ressurreição. Com isso, durante a escravidão os africanos ficavam impedidos de praticar seus ritos, criando um costume que se reflete nos dias de hoje: Fechar os Pejís no carnaval e resguardá-los até o sábado de aleluia, quando se realizam diversos preceitos para a iniciação de um novo ano.
                      Atualmente africanistas dividem-se em dois grupos: os que praticam o resguardo da quaresma (maioria), e aqueles que apesar do respeito não concordam com a mistificação das entidades religiosas e portanto não cultuam os Santos Católicos.
                     A Quaresma é uma herança do tempo que devíamos esconder nossos Orixás, uma imposição Católica sobre a doutrina Africana, mas, que atualmente não é vista com a agressividade do açoite. Entre  nós, os religiosos de matriz africana há um grande respeito a fé cristã e períodos pascais são sempre envoltos por ritos e esperanças de uma vida renovada.
                      O seun pupo, gbogbo eniyan!!!

sábado, 23 de setembro de 2017

UM PUNHAL QUE FERE

                      O artigo V da Constituição Brasileira, que nos garante o livre exercício de nossas práticas religiosas, na verdade para nós africanistas nada mais é do que uma faca de dois gumes entre benefícios e consequências. Mas minha pergunta é, até onde vai esta tal liberdade religiosa?
                      Este artigo foi acrecido na reforma constitucional de 1984 (exatamente no ano em que fiz meu Orixá); Durante décadas afro-umbandistas foram perseguidos, discriminados pela polícia; os casos de charlatanismo não eram tão evidentes e nem tão impunes, havia um respeito maior. Também havia uma burocracia que orbitava em torno dos Templos, era necessário cadastro em entidades como federações ou associações - que nomeavam um responsável "vivo" pelo então reconhecido Babalorixá ou Yalorixá, exigiam um conhecimento razoável de liturgias, Obrigações completas, instalações adequadas para expedir um Alvará de Aberturado Ilê, além disso exigiam disciplina emitir as Famosas Licenças de Toques.
                       Após a elaboração da atual "Carta Magna", E por consequência das facilidades, Houve uma explosão demográfica na quantidade de "Prontos"; não existe mais poder de fiscalização, nem normas específicas para o Apronte - cada casa define suas liturgias conforme o seu "Fundamento". No passado, sem importar a nação, durante anos o iaô aprendia a cozinha, as comidas, as rezas, os ritos, os trabalhos, o jogo de Ifá; atualmente sabemos de casas de pessoas iniciadas e que em alguns meses tornaram-se Babás e Yás com "Orumalé, Obés e Ifá", alguns criam novas seitas com anjos do apocalipse e a possível volta do Anticristo. Mas, quem vai impedí-los? A Constituição garante; é Livre!!!
                   A lei, não só essa como várias outras, é dúbia e falha, entre os benefícios, deveria estar a proteção que se "estabeleceu" sobre os africanistas; desde então nenhuma repressão por parte de órgãos do poder público ou privado deveria interferir nos rituais de nenhum segmento de matriz Africana;mas, não é tão simples assim. Deputados e Vereadores impões leis que impedem ao africanista, uma prática legal de seu culto. A Lei Estadual 11.915 tornou crime o sacrifício de animais domésticos - religiosos foram às ruas para lutarem por seus direitos e conseguiram a isenção da lei apenas para animais sacralizados e destinados a alimentação (Lei 12.131/04 - Decreto 43.252, Art. 3) A pouquíssimo tempo a Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou por unanimidade uma lei que proibe o despacho de animais mortos nas vias públicas da capital, sob pena de multa.
                 Diante destas manobras políticas para acabar com nossos despachos, que, só vão para as ruas quando são trocas de saúde ou limpezas, indagamos: até aonde vai a nossa liberdade? Hoje nos proíbem de colocar animais sob o pretexto da limpeza urbana: e amanhã será que poderemos despachar nossos ecós e axés. Até quando vamos viver assim desamparados pela intolerância religiosa que se estabeleceu entre políticos do legislativo e sangrando nas mãos de falsos religiosos que utilizam a fé como fonte de exploração financeira? Até quando vamos ver ser vendidos nossos Axés que no passado não bastava pagarmos, tínhamos invariavelmente que APRENDER para conquistá-los?
                   O seun pupo, gbogbo eniyan!!!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

REZAS DE XANGÔ E OXUM DE IBEJE


Ibejis

Saudação:
Tamboreiro - A júbà Ìbejì orò, Sàngó dibeji, Òsun dibeji, Oujá níbeji, gbogbo owó fun wa òòsà ibeji, ìbejì orò! (Respeitamos aos espíritos gêmeos, Xangô convertido em gêmeo, Oxum convertida em gêmea, Oiá tendo gêmeos, espíritos gêmeos!)
Responder - Ìbejì orò! (Espíritos gêmeos!) 

T - Dì owo dì owo tàlà d'Ìbejì èjì owo tàlà d' Ìbejì èjì owo olórun dê ou! (Oh! Chega o dono do céu convertido em dobro de riqueza, convertido em gêmeos da fronteira para este mundo)

R - Dì owo dì owo tàlà d'Ìbejì èjì owo tàlà d' Ìbejì èjì owo olórun dê ou! (Oh! Chega o dono do céu convertido em dobro de riqueza, convertido em gêmeos da fronteira para este mundo)
T - Dì owo dì owo Sàngó d 'Ìbejì èjì owo tàlà d' ìbejì eji owo (Converte-se em riqueza Xangô, se converte em gêmeos, o dobro de riqueza do começo convertido em gêmeos)
R - Dì owo dì owo Sàngó d 'Ìbejì èjì owo tàlà d' ìbejì eji owo (Converte-se em riqueza Xangô, se converte em gêmeos, o dobro de riqueza do começo convertido em gêmeos)
T - Elékùn jà ré ou! (Oh dono do leão que briga e nos assusta!)
R - Ekùn jà ré ogun lò! (O leão briga, assusta e finaliza a guerra)
T - Owo owo èbùn l'èrùn dê dì lókè o wá jà estraguem okun dê elékùn jà ré ou! (Dá de presente riquezas, traz a seca, vai mensalmente lutaroh! Chega dono do leão que luta e assusta)
R - Okun jà ré ogun o (Luta com força, termina a batalha e se vai)
T - Bàbá 'rúnmalè olú fà (Pai espiritual, senhor que ampara)
R - Bàbá 'rúnmalè olú fà (Pai espiritual, senhor que ampara)
T - Tàlà d'ibeji jó Sàngó tàlà d'ibeji jó l’àlà ré wa (Do começo Xangô dança convertido em gêmeos, mais adiante virá cruzando a fronteira)
R - Anípé èjì jó (Dançam em dupla alcançando seu destino)
T - L’àlà ré wa (Virão cruzando a fronteira)
R - Anípé èjì jó (Dançam em dupla alcançando seu destino)
T - Tàlà d'ibeji èjì w'owo tàlà d'ibeji èjì w'owo (Convertido em gêmeos traz o dobro de riqueza da fronteira)
R - Oujá sei sùn 'malè tàlà d'ìbejì èjì w'owo (Oiá faz dormir os gêmeos convertidos no Orixá do princípio, vem o dobro de riqueza)
T - Hù bádé hù bádé hù bádé a k’orò (Germinem, retornem juntos que nós lhe recolhemos espíritos)
R - Dada sélè hù bádé a k’orò (Espíritos dos meninos que nascem com cabelo, nós perdemos um filho, faz com que germinem e retornem que nós os recolheremos)
T - A sé sùn Sàkpàtà, yé sùn lábà wè (Suplicamos a Xapanã, por favor, suplicamos que nosso lar se limpe)
R - A sé sùn Sàkpàtà, yé sùn lábà wè (Suplicamos a Xapanã, por favor, suplicamos que nosso lar se limpe)
T - Esun lábà wè, esun lábà wè (Que a erva tromba de elefante limpe nosso lar)
R- A sé sùn Sàkpàtà, yé sùn lábà wè (Suplicamos a Xapanã, por favor, suplicamos que nosso lar se limpe)
T - Àlà wí àlà wí erù rè bàbá (Em sonhos o pai nos comunica do peso adicional [gravidez])
R - Àlà wí àlà wí erù rè bàbá (Em sonhos o pai nos comunica do peso adicional [gravidez])
T - Orò kun dê ou! (Oh! Espírito te divida e chega)
R - Altar dê kun dê kun dê ká (O corpo chega dividido, chega em partes)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

LINDA POESIA EM HOMENAGEM AOS MENINOS DE OXUM

Barravento

aos meninos de Oxum
que, convenhamos,
encarnam o belo
do masculino
na nudez
da doçura.

são os meninos de Oxum
que fazem a vaidade
inundar além da gota
estas qualidades
do mundo rude
dos homens.

Oxum deixa em seus meninos
o abebé da candura
porém, é importante dizer
que espelho é vidro
e água também
fere.

Oxum guarda meninos
guerreiros de rio
águas doces de fundura
realezas em ouro
axé de curso
da suave correnteza.

Oxum e seus meninos
amamentados em seu seio
despontam na terra
a herança do ouro
da beleza
da vidência
e da destreza
choram a glória
enxergam a vitória
desta herança
Ijexá,
Idé,
Yéyé ó
quão lindo são
os meninos de Oxum
na roda, quando os toma
e Ela dança.


XANGÔ E OXUM DE IBEJI

                             Ibejis são Orixás crianças, em realidade, duas divindades gêmeas infantis, masculino e feminino, ligadas a todos os Orixás e seres humanos. São Orixás raros em Ori, lindos quando manifestados em filhos e bastante cultuados em todas as religiões de matriz africana. Formam-se a partir de duas entidades distintas que co-existem, respeitando o principio básico da dualidade e dividem-se em dois Orixás permanentemente duplo e inseparável do outro Não existe Xango de Ibeji sem Oxum de Ibeji ou vice e versa. Em um plano mais terreno, eles são associados a tudo que se inicia: a nascente de um rio,  o germinar das plantas,  o nascimento de um ser humano. Ibejis e o que indica a contradição, os opostos que caminham juntos, a dualidade. Ibejis mostra que todas as coisas, em todas as circunstancias, tem dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos. Ibejis são poderosos como todos os Orixás, as crianças divindade, entretanto entendem os pedidos de maneira simplista, o que pode levar a consequências nao previstas pelas entidades em geral. Por outro lado tem a reputação de serem extremamente fieis as pessoas que conquistam a sua confiança.


Lenda de Ibejes


Existiam em um reino, um casal de gêmeos que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles: em troca pediam doces, balas e brinquedos. Eles faziam muitas traquinagens e, um dia brincando próximos a uma cachoeira, o menino caiu e morreu afogado. Todos do reino ficaram desolados com a morte do príncipe. A menina gêmea que sobreviveu nao tinha mais vontade de comer e vivia chorando de saudades do seu irmão, pedia sempre a Orumila que a levasse para perto do irmão. Sensibilizado pelo pedido da menina Orumila resolveu leva-la para junto do irmão no Orum. O menino já estava aos cuidados de Xango e amenina ficaria aos cuidados de Oxum. Para que as pessoas do reino nao sentirem tanto a falta dos gêmeos, deixou na terra duas imagens de barro. Desde então,  todos os que precisam de ajuda deixam oferendas aos pês dessas imagens para terem os seus pedidos atendidos.


Arquétipos dos filhos de Ibeji

Lembramos que Ibejis são Orixás raros de serem donos do Ori de alguém, portanto que isso sirva de conselho para todos os Babas e Yas,  os búzios devem ser consultados de uma forma muito seria, sem leviandade, e se realmente a pessoa a ser iniciada for de Ibeji devem ser consultados mais 7 Babalaôs para  que o Ori seja confirmado. Volto a repetir que são raríssimas as cabeças de Ibeji e praticamente impossível, de se ver mais de um em uma mesma casa. Meu filho Wagner e de Xango Agandju de Ibeji, mas, mesmo vindo  pronto de outro Ile, ainda assim tentei dar obrigação aos Ibejis e, trocar seu Ori para Xango Agandju, porem o Pai Xango nao aceitava a troca, Waguinho e nato de Ibeji, nunca, desde o seu nascimento pertenceu a outro Orixá.
Ibejis são cultuados como Orixás independentes e são considerados qualidades de Xango (Agandju Ibeji) e Oxum (Epanda Ibeji) portanto as características que vou descrever se referem ao temperamento destes Orixás. Os filhos de Ibeji são pessoas com temperamento infantil, jovialmente inconsequentes:nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. Costumam ser brincalhões, sorridentes e irrequietos. Tudo, enfim o que se possa associar ao comportamento tipico infantil. Muito dependentes dos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem relarem-se teimosamente obstinados e possessivos. Ao mesmo tempo, a sua leveza perante a vida revela-se no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar, a sua dificuldade de permanecer muito tempo sentado, extravasando energia.
Podem apresentar bruscas variações de temperamento, e uma certa tendencia a simplificar as coisas, especialmente no que se refere ao emocional, reduzindo, as vezes, o comportamento complexo das pessoas que estão a sua volta a princípios simplistas como "gosta de mim - nao gosta de mim". Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com alguma facilidade. Ao mesmo tempo, as suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade, sem deixar grandes marcas. Como crianças, em geral, gostam de estar no meio de muita gente, das atividades desportivas, sociais e das festas.


Qualidades - Não possuem
Saudação - Oni Bejis
Dia do ano - 27 de setembro
Dia da semana - Terça - feira ou sabado
Flor - Todas as flores, miúdas e coloridas
Doces - Bala de goma, paçoca, suspiro, todos os doces em geral
Animal de estimação - Macaco
Função - Parto e infância e tudo que se relaciona as crianças
Numero - 2 e 4
Cores - Todas as cores
Ferramentas - 2 bonecos gêmeos em barro, 2 cabacinhas, brinquedos...
Frutas - Manga, goiaba, mamão, morango, banana...
Ervas - Alfazema, erva - cidreira, camomila, erva - doce...







sábado, 9 de setembro de 2017

INAUGURAÇÃO DO ILE DOS MEUS FILHOS WAGNER E FERNANDA ALBERNAZ

                    O casal Wagner e Fernanda Albernaz, receberam na ultima quarta feira, em uma noite magica de muito axe , amigos e familiares para a inauguração do "Ile Oba Ododo Ati Ayaba Omi"


                                                                                Peji




Eu com meu filho Wagner  D'Xangô Agandju Ibeje Baba Alafim , Lola D'Oxum Adoco, Ana Paula D'Oxala Jobocum 
                                      Eu e meu filho Wagner  D'Xangô Agandju Ibeje Baba Alafim
                                                          Wagner com parte da família religiosa e alabes


Wagner com a amiga Neusa D'Iemanja